Trabalhar – épica actividade consumidora de tempo
Trabalhar consome tempo. “No shit, Sherlock”, dizem vocês. Mas uma coisa é consumir 8 horas por dia, outra completamente diferente é consumir cerca 10+4 (para transportes) horas. Sim, isso dá cerca de 14 horas por dia fora de casa, a sair às 8 da manhã e a chegar às 23:30 horas.
E que faria eu se tivesse tempo?
1 – Finalmente experimentar o Gothic 3.
2 – Escrever; quer sobre videojogos, quer escrita criativa.
3 – Ajudar no Hi-Gamers.
4 – Resfastelar-me no sofá a admirar a beleza da vida numa actividade não consumidora de dinheiro (que também está em falta, já agora).
Tenho saudades de escrever sobre videojogos, e de ter tempo para actualizar um blog. Mas passo o dia todo de volta do teclado e não tenho tempo sequer para jogar, o que impossibilita um bocado as coisas. Começo a pensar se ter vindo trabalhar para um jornal diário foi boa ideia.
Em todo o caso há sempre um lado positivo, que é ver o nosso nome impresso, ou de vez em quando ouvir um elogio quando fazemos um texto bem. Só que às vezes olho para o tempo de vida que estou a perder e pergunto-me se não estarei a cavar a fossa para a minha concretização profissional e infelicidade pessoal. A vida são dois dias e dia e meio irei passar nesta redacção caso consiga ficar; mas diga-se de passagem que ficar no desemprego também não soa muito bem. Afinal de contas, morar sozinho tem as suas vantagens.
Mas sinto falta de muitas coisas.
Ajudar no Hi-Gamers não é escrever sobre videojogos? =P
Não quero imaginar o pesadelo de 4 horas em transportes. No entanto, um dos meus maiores receios sempre foi o início de vida de trabalhador. Não por ter de trabalhar: adoro ter trabalho!, mas por ser explorada até ao tutano.
Para mim, um estágio que não é remunerado e que nos obriga a sacrificar TODO o nosso tempo livre – essencial para a felicidade de qualquer ser humano, não é tolerável.
Mas lá está, quando se quer chegar longe, há que fazer sacrificios. É preciso é estar disposto a isso e adorar-se aquilo que se faz.
Sim, mas quando digo escrever sobre videojogos era mais para mim mesmo, para por por aqui e assim. Criei isto como um espaço para eu por conteúdo e pouco depois da sua criação começou a crescente onda de trabalho e a falta de tempo. Gostava de ter tempo para actualizar isto como deve ser, mas se calhar terei que adoptar a estratégia “a semana em pixels” do Diogo. E o Hi-Gamers é outra coisa para a qual eu gostava mesmo de ter tempo. O pessoal baldou-se um bocado e não estou a gostar da situação actual.
Sim, eu adoro o trabalho. Adoro isto, mesmo. Mas uma coisa é vires e trabalhares e chegares a casa e sentires-te óptimo porque o dia foi produtivo e trabalhaste imenso, outra completamente diferente é vires para cá 10 horas por dia e escreveres 3 ou 4 breves. Sentes que não estás a ser aproveitado e que o teu tempo não está a ser minimamente rentabilizado.
No início punham-me a fazer textos grandes e davam trabalho – e às vezes levava nas orelhas,o que é óptimo porque te ajuda a evoluir -, mas eu adorava e quase não dormia com ansiedade de ver o meu nome no jornal do dia seguinte. Só que agora com a silly season, pronto. Os veteranos roubaram um bocado o nosso espaço – aparentemente acharam que não conseguíamos dar conta do recado – e agora é esta situação altamente desmotivante em que perdes o teu tempo para vir fazer nada.
Obviamente que a parte inicial da vida é a mais difícil e então para jornalistas é do pior. Tens que fazer sacrifícios – muitos sacrifícios -, só que lá está, também depende. Eu não me importo de fazer directas a trabalhar, não me importo de sacrificar tempo livre para fazer reportagens ou o raio que o parta, mas sacrificar os meus dias para vir escrever três parágrafos? Aí já começo a achar que não vale a pena.